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OSTEOPATIA: SPA URBANO ENTREVISTA A DRA. ELIZABETH JAECKLE

OSTEOPATIA: SPA URBANO ENTREVISTA A DRA. ELIZABETH JAECKLE

Médica suíça visita o Spa Urbano e bate um papo sobre a sua atuação na área de osteopatia

 

                Na semana em que se comemora o Dia do Médico (18 de Outubro), o Spa Urbano recebeu em suas dependências a Dra. Elizabeth Jaeckle, oncologista e especialista em osteopatia e acupuntura. Atuante no tratamento de crianças com câncer, no Universität Hospital de Zurich, na Suíça, Jaeckle teve contato com a osteopatia a partir de estudos sobre tratamentos alternativos e medicina tradicional chinesa, enquanto estudava a cultura e a língua do país oriental. A médica, que estava em Salvador durante a primeira quinzena de outubro para aprender português, fez questão de conferir o Spa Urbano, do qual já tinha ouvido falar, e saber mais sobre como trabalhamos questões de relaxamento, estética e bem-estar com a população de Salvador, assim como discutir nosso conceito de wellness. Em um papo com nosso setor de redação institucional, a Dra. Elizabeth nos contou tudo sobre a osteopatia e como ela é capaz de mudar hábitos e vidas, dentro e fora dos ambientes hospitalares. Confira a entrevista!

S U – O QUE A TROUXE AO BRASIL, DRA. ELIZABETH?

E J – Por favor, me chame de Beth. É assim como minhas colegas do curso de português me chamam desde que cheguei ao Brasil e eu gostei do apelido (risos). Bom, o que me trouxe ao Brasil, primeiramente, foi o meu interesse sobre as plantas medicinais utilizadas pela população indígena do país. Eu ainda pretendo fazer uma pesquisa larga sobre esse tema. Nesta viagem, especificamente, foi para aprender português.

S U – ESTÁ GOSTANDO DA EXPERIÊNCIA DE ESTUDAR PORTUGUÊS EM SALVADOR?

E J - Estou, sim! A cidade me agrada muito, eu gosto do clima, embora tenha de sair do hotel toda coberta por casa do sol. Tenho uma pele muito sensível aos raios UV. É uma cidade agradável, com pessoas que sempre estão sorrindo. Tem uma população muito bonita e alegre. E hoje eu estou achando tudo muito especial porque estou aqui com vocês, neste lugar tão aconchegante e que tem um contraste curioso em relação ao ambiente que o cerca. Lá fora há uma cidade barulhenta, cheia de gente e aqui está tudo silencioso, sutil, confortável... Parece que entrei em outro mundo. Muito bonito o spa!

S U – QUANDO DECIDIU SE ESPECIALIZAR EM OSTEOPATIA E POR QUÊ?

E J – Eu vou responder a razão primeiro. Trabalhei anos no setor de oncologia infantil do Universität Hospital e comecei a perceber que, com o tempo e o desgaste do tratamento, os acompanhantes, os familiares e amigos dos pacientes começavam a aparentar estressados e, logo em seguinte, apareciam se queixando de algum problema, como uma dor no pescoço, um inchaço no joelho, coisas aparentemente simples e que evoluíam rapidamente em lesões mais complexas. E não havia razão lógica para aquilo. E comecei a ligar aquelas enfermidades ao fato deles estarem lidando com uma situação de estresse extremo, que é o acompanhamento de um ente querido, uma criança, durante o tratamento de um câncer. E, conversando com um amigo meu, que é um xamã, fui aprendendo sobre os sistemas energéticos que compõem o nosso corpo, o que me levou à osteopatia. Então, ficou tudo muito claro. Aquelas doenças não estavam relacionadas ao corpo físico daquelas pessoas. Não havia nada de errado com a saúde física delas. Aquiles sintomas eram sinais que um sistema muito mais complexo do que aquele que aprendemos ao estudar medicina estava dando ao corpo físico. Então, decidi me especializar na área para fazer o que todo médico jura fazer em toda a sua vida: ajudar as pessoas.

S U – O QUE É A OSTEOPATIA, AFINAL?

E J – É uma ciência médica que trabalha o corpo humano como um sistema integrado aos contextos sociais das pessoas. Digamos que é a medicina humanizada. Na osteopatia, nós acreditamos que a fisiologia e a anatomia do corpo funciona de forma integrada, como um sistema único que reage a diferentes estímulos dentro e fora dele. Focamos o nosso trabalho no fortalecimento do sistema imunológico do indivíduo, de modo a liberar os bloqueios que possam impedir qualquer avanço no tratamento do seu problema, mas não de maneira mecânica. O osteopata não enxerga o indivíduo que busca o tratamento como um paciente com uma dor nas costas, por exemplo, mas sim como um ser humano completo, que tem uma história, uma carga emocional e física de anos, para entender o porquê daquela dor nas costas ter começado a perturbá-lo. Assim que compreendemos todo o contexto, iniciamos o tratamento de uma forma alternativa à medicina tradicional, ou até mesmo concomitante aos tratamentos químicos de rotina.

S U – A OSTEOPATIA MELHOROU O SEU TRABALHO NO SETOR DE CÂNCER INFANTIL, NO UNIVERSITÄT HOSPITAL?

E J – Sim, claro! Mas veja bem, as pessoas são únicas e cada uma vai reagir de uma maneira diferente a uma abordagem osteopata. Tive casos em que consegui melhorar sensivelmente a qualidade e as expectativas de vida dos meus pacientes. Em outros, apenas consegui tornar o tratamento quimioterápico menos doloroso. Os pais e amigos dos pacientes que viraram adeptos da osteopatia.

S U – VOCÊ TAMBÉM É ACUPUNTURISTA. COMO A ACUPUNTURA DIALOGA COM A OSTEOPATIA?

E J – Eu estudei osteopatia e a medicina tradicional chinesa. Acupuntura e osteopatia estão ligados porque, muitas vezes, há bloqueios que impedem até mesmo uma investida química de fluir para as áreas a serem tratadas, e a acupuntura, como também as técnicas osteopatas, buscam desbloquear o corpo através de um trabalho manual. Vocês entendem muito bem disso, porque trabalham com relaxamento e bem-estar, utilizando muitas técnicas e tratamentos similares.

S U – HOUVE PRECONCEITO POR CONTA DA INSERÇÃO DA OSTEOPATIA NA SUA ATUAÇÃO MÉDICA?

E J – Sempre que mostramos um lado diferente de ver as coisas, sempre que uma pessoa propõe algo diferente do tradicional, há os comentários contrários e até mesmo aqueles que se excedem e são desagradáveis. A novidade assusta, sempre assusta. Mas temos de fazer o nosso trabalho. 

S U – QUAIS SÃO OS PRÓXIMOS PASSOS?

E J – Muito conhecimento. Volto agora para  Suíça. Eu estou aposentada da medicina, mas continuarei estudando e pesquisando. Pretendo voltar para Salvador no ano que vem e passar um período mais longo. Quem sabe, até trabalhar aqui (risos). É um lugar onde valeria a pena trabalhar.

S U - E VOCÊ SERIA MUITO BEM-VINDA!

E J – Obrigada!

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